segunda-feira, 25 de junho de 2018

Desfrutar o melhor dos outros




    Eu quero compartilhar com vocês através deste texto, algo que tenho aprendido ultimamente e muito libertador com respeito às relações interpessoais. Acho que todos nós vivemos um pouco disso ao entrar num caminho de expansão da consciência, o experienciar de certos abalos em nossas relações. E muitas mudanças também em nós com relação a elas.

    Pela lei da atração, o semelhante atrai o semelhante, ou seja, quando falamos de relacionamentos de um modo geral, a gente interage muito mais com quem é da nossa vibe e fala a nossa língua. E isso é independente de compreensão da lei, é algo natural. Galinha que anda com pato, morre afogada. Isso quer dizer que é cada um com os “seus afins”.

    E é natural também, quando mudamos de percepção da realidade, afastarmo-nos de certas pessoas e nos aproximarmos de outras. Mudando a energia, tudo em volta de nós tende a mudar, inclusive nossas relações. Seja com familiares, namorados, amigos, colegas de trabalho, tudo se altera.

    Agora, a questão que é foco aqui, é a seguinte: Até onde o meu relacionamento com os outros é afetado pela mudança da minha consciência? E onde começa a minha intolerância ao diferente? Hum… Acho que só essa pergunta já põe a gente contra a parede. Eu sinto que acontece muito disso conosco. Existe uma posição interna e natural que tomamos no tocante às relações interpessoais, ao despertarmos interiormente à espiritualidade, só que muito desse afastamento pode ser produto de uma visão negativa e separatista de nossa parte.

    Acontece que, muitas vezes, podemos deixar de cultivar uma relação ou evitar a aproximação com certas pessoas só porque agora, pensamos e agimos de forma diferente delas. Existem sim, diferenças que são impossíveis de serem administradas numa relação. Mas há outras, bobas, normais, que transformamos em grandes impedimentos para cultivar relações e desfrutar o melhor de determinadas pessoas.

    E tudo porque podemos achar que, pelo fato de termos despertado, só devemos andar com quem é da nossa turma. Acho que isso precisa ser avaliado com muita sabedoria e cuidado. Por causa de diferenças pequenas, deixamos de curtir muitas outras coisas boas com pessoas de nossa família, amigos, etc. Vestidos da crença de que “agora eu só ando com quem pensa como eu”, fechamo-nos numa redoma de isolamento, intolerância, arrogância por pensarmos algumas vezes que, por sermos despertos, precisamos evitar os demais como se fôssemos melhores que eles.

    Isso é um problema sério. Tá certo que é normal a gente querer estar perto de quem nos entende e caminha na mesma trilha. Mas, será mesmo que é preciso ser tão radical com quem é diferente? Eu acho que não. Até porque, como vamos ajudá-los nos afastando deles? Na minha maneira de ver, após nos reconectarmos com a luz em nós, o que precisa emanar de nosso Ser é ainda mais Amor, compreensão, tolerância, paciência. Antes de despertar, você tinha uma relação ótima com determinada pessoa, então, por que isso precisa acabar? A menos que a outra parte não te aceite em sua mudança, não existem motivos para haver esse afastamento.

    Se você é mesmo da luz agora, mais do que nunca, procurará ver o lado bom daquela pessoa, desfrutará do bom sentimento trocado, da relação gostosa, ao invés de focar nas diferenças surgidas após a mudança de consciência. Tem coisa que a gente pode passar por cima, sim. Tem coisa que a gente pode relevar, sim. Se nos tornamos intolerantes, separatistas e fazemos acepção de pessoas após o “despertar”, sinto que esse “despertar” deve ser questionado. O nome disso pra mim é “Mudei de religião”.

    Se a nossa mudança não nos ensina a ser mais amáveis (não é forçar relações), longânimes, temperados emocionalmente e equilibrados com justiça, é sinal de que não houve de fato, a mudança. Obviamente que tenho mais intimidade e proximidade com quem compartilha do mesmo propósito de vida que eu, mas não me privo de relações agradáveis com outros que pensam diferente de mim, não me afasto de quem gosto por causa de detalhes superficiais. Porque o Amor precisa estar acima disso, do contrário, há algo errado com nossa espiritualidade. Acredito que se afastar desnecessariamente de algumas pessoas queridas, excluí-las, é fazer o contrário do que o Mestre nos ensinou, ele se sentava com os “pecadores”, os mais “sujos” daquela sociedade.

    Se você não se permite relacionar-se com quem não está desperto, é porque talvez, você não esteja tão convicto assim do seu despertar. Pense melhor. A gente ganha muito mais desfrutando o bem dos outros do que desprezando-os por algumas coisas absolutamente irrelevantes.

Que o Amor nos cure!
Vinícius Francis 













Um comentário:

  1. Gostei das observações, procurarei melhorar essa questão, tenho me afastado de todos. A solidão me assola.

    ResponderExcluir

Deixe aqui sua opinião ou pergunta.