terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Por que atravessamos momentos difíceis?

Às vezes atravessamos momentos que são verdadeiros desafios ao nosso ego. Sentimos como se a vida estivesse nos enfrentando e nos revirando completamente. Claro, tudo isso é uma visão bastante egoica. Por não compreendermos uma série de coisas, temos uma leitura muito baseada naquilo que entendemos do que acontece e nem sempre ou quase nunca, essa leitura é justa.

Entretanto, a realidade atual, em si, é um conjunto de múltiplas realidades intercaladas e uma situação tem sempre muito mais lados do que conseguimos enxergar. E perante grandes dificuldades tendemos a achar de imediato que existe alguma força conspirando contra nós, porque as coisas simplesmente parecem não andar, pelo contrário, a sensação que temos logo de cara é que há algo nos empurrando para trás. E esse sentimento de retrocesso nos machuca muito, porque retrocesso é algo que fere terrivelmente as leis do Universo, por isso dói tanto.

Mas, mesmo que tenhamos a sensação de andar para trás ou que as coisas estão dando errado, isso não está acontecendo. Nada anda pra trás, não existe retrocesso, essa é só uma maneira de enxergarmos a vida. Claro, todas as nossas compreensões dos fatos da vida são sempre baseadas em nossos pontos de vista, em nossas crenças, medos, conflitos, expectativas. Quando algo não flui como queremos a primeira reação do ego é dizer que não está dando certo.

Porém, vale lembrar que a vida tem infinitos caminhos que podem dar no mesmo destino. E não é porque a vida está te “estimulando” a ir por outra trilha que você não terá um bom resultado. Os bons resultados, em alguns casos, costumam demorar pra vir porque passamos grande parte do tempo resistindo às mudanças que nos levarão a eles. A grande verdade é que as mudanças estão ocorrendo o tempo todo e nem todas elas são sutis, serenas, suaves. Muitas são intensas, fortes e violentas. Sim, violentas. Entenda a 'violência' como parte da vida.

Para uma criança nascer em parto normal a natureza precisa ser violenta para tirá-la de dentro da mãe. E isso dói. Quem é mulher e teve filhos assim, sabe disso. Quando o corpo quer expulsar algo que está agredindo o estômago, por exemplo, ele é violento e força tudo de uma maneira dolorosa até causar o vômito, e só relaxa depois que o tiver feito. Quando o espírito quer abandonar a matéria também age com violência, a morte quase nunca é serena, pouquíssimas pessoas morrem deitadas em suas camas, simplesmente dormindo. A grande maioria passa por uma experiência violenta, seja num acidente, doença, enfim, são tantos os meios!

E por que eu digo isso? Pra você entender que esse tipo de violência faz parte da natureza, faz parte desta vida. E algumas coisas neste mundo se movem por ela, é inevitável isso. Vemos a forte chuva varrer o solo destruindo tudo o que encontra pela frente, a lava de um vulcão em erupção que transforma para sempre o cenário em volta, tudo que ela toca é destruído. Os ventos, que em forma de furação ou tornado empurram casas, carros, árvores, como se fossem bolinhas de papel. Enfim, a natureza é tão delicada quanto o orvalho da manhã, mas pode ser muito violenta. E é, quando preciso.

E muitas vezes somos pegos por essa violência, como um banhista inexperiente que entra no mar e é atingido por uma forte onda que o faz virar cambalhota debaixo d’água. Eu já passei tanto por essa experiência! E nem por isso deixo de amar o mar, porque eu compreendo que isso faz parte dele, ele pode ser calmo, mas também agitado e violento, porém continua sendo belo e inspirador. Não é porque muitas vezes ele me revirou com suas ondas e me fez quase que comer areia no fundo, que deixei de apreciar o banho em suas águas.

Assim é a vida. Tem vezes que somos pegos por sua violência natural, que de longe é ruim, apenas transformadora. Ruim para nosso ego que não gosta muito de mudança, ruim para nossos apegos, mimos, zonas de conforto. Nos agarramos às coisas, pessoas, lugares e experiências com muita facilidade. Temos o hábito de cultivar o tão ilusório “Para sempre”. E quando somos confrontados pela força da vida que literalmente quebra esse “para sempre”, sofremos. É aí que dói. A mudança em si não machuca, apenas promove a natural continuidade da vida.

Tudo muda sem parar, a inconstância é a única coisa constante no Universo. O mundo como você vê hoje, amanhã já terá mudado, por si só ele já muda, imagine quando a vida movimenta tudo ferozmente? E viver é isso, saber fluir na bonança e também no caos, ambos são o Bem, contudo, expressos de forma diferente.

Quando as coisas parecem dar errado, não é o mal agindo, abandone essa crença, pois isso fará você sofrer menos. É apenas o sopro de Deus sobre as velas do barco, levando sua embarcação para outros mares. E embora isso seja difícil de aceitar às vezes, quanto menos resistirmos, menos sofreremos. A vida tem caminhos que desconhecemos, mas resultados promissores, sempre.

Em meio aos fortes ventos e tempestades, naturais em alto mar, tudo o que precisamos é nos firmar para que nosso equilíbrio seja mantido. Assim como muitas outras tormentas que você enfrentou e superou, esta, talvez enfrentada agora, também será superada. Nenhuma adversidade surge para nos destruir ou afundar nosso barco, apenas pra mudar algo em nós e em nosso caminho. Como eu disse, a vida costuma usar de certa violência para transformar algumas coisas e é preciso aceitarmos essa condição.

Não dá pra ir sempre num navegar recheado de sutileza e tranquilidade, não é possível viver e acertar os caminhos todas as vezes. Não é possível fluir no mar da vida em constante céu azul e tempo bom. As tempestades fazem parte, os fortes ventos fazem parte, o cenário tempestuoso, violento e por vezes caótico, faz parte também. Então, não se espiritualize para viver uma vida sem desafios, espiritualize-se com o objetivo de ser forte e sábio o suficiente pra lidar com os mesmos, aprender com eles e seguir adiante.

Até porque as coisas só são vistas como “desafios” quando ameaçam nossas limitações e dificuldades. Se nos sentimos desafiados é porque acreditamos não ter condições de lidar com determinadas circunstâncias que se apresentam. E a verdade é que a cada "tempestade" nos tornamos mais conscientes de nossa força, mais maduros, mais capazes.

E quando tudo parece dar errado, entenda, Deus está mudando as coisas para outros rumos, então aceite isso. As forças divinas sabem o que fazem. E pode crer, por mais difícil que pareça, elas sempre trabalham pelo nosso melhor. Nós é que muitas vezes conspiramos contra o nosso progresso, porque insistimos em ter tudo do nosso jeito e no nosso tempo. Entregue esse controle à vida, participe com ela e não tente comandá-la porque isso ninguém consegue.

A vida é cheia de mudanças e muitas delas ocorrem sem o nosso consentimento. Não podemos controlar o fluxo, podemos somente aprender a fluir com ele. E que bom saber que é assim, porque se dependesse de nossa boa vontade para haver mudança, dificilmente elas aconteceriam. O Universo é o maestro, então, é ele quem conduzirá a orquestra e a música. Nosso papel é sermos bons músicos, para que a harmonia da canção esteja presente em nosso viver. 

Seja feliz!
Vinícius Francis 





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